Manuela, Santana e as muralhas…

by manuel margarido

Todo o processo que conduziu à ‘eleição’ de Pedro Santana Lopes (que tem um blogue, como direi, ‘imperdível’) para putativo candidato do PSD ao cargo de presidente da Câmara Municipal de Lisboa nas próximas eleições autárquicas, processo esse levado a cabo pela ‘Distrital de Lisboa’, um digníssimo  órgão na estrutura do PSD que alegremente apoiou Alberto João Jardim para candidato à  Presidência do partido no último Congresso, tendo-se visto livre de batata tão quente porque o vice-rei da Madeira não se apresentou à liça) tem contornos de uma estranheza sem remédio. Ente o ‘diz-que-disse’ e o ‘por-não ter-dito-nada-ela-disse-tudo’; entre o silêncio de Manuela Ferreira Leite sobre o assunto e as conversas que (incrivelmente) aceitou ter com Lopes, é o PSD no seu pior que regressa. Ora, independentemente do que venha a dizer ou decidir, Ferreira Leite já está a perder. Abriu mais um espaço de conflitualidade interna, quando se esperava vê-la como um líder acima de guerras intestinas; alimentou o jogo das facções, dos barões, das eminências, quando se esperava dela todas as atitudes para acabar, progressivamente, sem transigência, com um partido feudalizado.

Se tinha como objectivo, ao ‘conversar’ com Santana Lopes, trazer o inimigo para dentro das muralhas, Manuela fez mal. Era suposto que, com ela, o PSD deixasse de ser um partido acastelado. Era suposto o PSD olhar para o país, em vez de continuar a coçar a sarna.

'seduzi-a... eh, eh!'

'seduzi-a... eh, eh!'