Trapalhadas…

by manuel margarido

José Manuel Fernandes ‘declarou’ à ERC – Entidade Reguladora da Comunicação Social –  que o primeiro-ministro o pressionou, telefonicamente, para não divulgar notícias relativas à polémica em torno da sua (do PM) Licenciatura. ‘Declarou’, mas não ‘gravou’. Ou porque “não nos lembrámos de gravar” ou porque o “gravador ou o sistema avariou” (duas possibilidades que se podem facilmente confundir na memória de qualquer director de jornal de referência, especialmente quando um primeiro-ministro nos  está a ‘pressionar’). Pressurosa, a ERC tratou logo de difundir no seu site o que disse J. M. Fernandes, a partir de apontamentos de membros da Entidade. Esclarecidos? Não, porque, afinal, os apontamentos  dos ‘membros’ eram imprecisos e não foi bem aquilo que o director do Público disse. Confusos? Não, porque a ERC encarregou-se imediatamente de assumir o ‘erro’. E de pedir, por escrito, novo depoimento, uma ‘reconstituição provisória’ (o que seria uma ‘reconstituição definitiva’?) a Fernandes, que assim fez. Ah, finalmente vamos ver luz! Não. Acontece que o teor da dita ‘reconstituição’ tem matizes mais difusas, nuances que relativizam o teor da famosa primeira conversa ‘esquecida de gravar ou não gravada por avaria do gravador ou do sistema’ – seja lá o que isso for. Sócrates esperou sentado. Depois enviou uma carta à ERC onde chamou “covarde” a José Manuel Fernandes.

A história pode ser toda lida, online, e com links para os ‘documentos’, no site do Portugal Diário.

Na rua dos meus Pais, nas Avenidas Novas, aconteceu há dias uma cena igualzinha. Envolvia o homem do talho, a vogal da Junta de Freguesia e um armazém frigorífico. Quem se ficou a rir foi o armazém frigorífico.

Foste tu, seu covarde!

Foste's tu, seu covarde! © Norman Rockwell

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