A globalização e o umbigo…

by manuel margarido

Hugo Chávez e José Sócrates encontraram-se pela quarta vez este ano, ao que parece. Coincidência? Amizade desinteressada? Enlevo mútuo? Não me parece. Chávez tem de sobra matéria-prima que lhe permite falar alto. Falta-lhe contudo respeitabilidade junto do mundo civilizado, algo que ele procura, sabe-se lá porquê, de forma desesperada (em nome da Venezuela, que por osmose, confunde com a sua magna pessoa). Sócrates sempre é Primeiro-Ministro de um periférico país da UE, com uma palavrita a segredar aos ouvidos dos grandes do mundo e dos oligarcas africanos. São credenciais respeitáveis, há que reconhecê-lo. Falta-lhe porém mercados, exportação, equilíbrio no comércio externo. Ambos são pragmáticos e pensam que podem encontrar, um no outro, salvação para as suas carências. Um vende petróleo, presume-se que de forma simpática. O outro casas pré-fabricadas, ‘memorandos na área da electricidade’ (raios partam se se consegue perceber estoutra pérola de retórica!)… e ‘Magalhães’. (Não deixa de me surpreender este fabuloso equipamento. Além de computador – não abriu com destreza em língua castelhana na sua apresentação a Chávez, mas suspeito que o assunto lhe seja indiferente – tem a funcionalidade extra de ‘chave de fendas’ comercial. Chapeau!)

Uma coisa une os dois estadistas. A percepção de que o mundo, hoje, é um T0 onde todos acabam por se encontrar na cozinha. E um conceito de globalização cujo epicentro se encontra algures num raio de cinco centímetros em redor do seu umbigo.

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