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Mais matéria peneirada da Revista criatura (ainda me processam ao abrigo do Código do Direito de Autor e Direitos Conexos, haverá alguns dos 500 exemplares do número um a ser vendidos. O número dois já está à venda desde o dia 22. São 350 exemplares, correi!). Aqui deixo este poema de José Carlos Barros.
AS FRASES
Vem de muito longe o pó
na tijoleira das entradas das casas. Os mortos
saem dos retratos a sépia
pendurados nas paredes
e parecem tocar-nos
no ombro.
Uma frase desmoronava as barragens
dos desastres. Não era ainda
a noite. Ele deixava as mãos muito levemente
sobre a água
do tanque a experimentar
a imponderável ondulação dos significados.
José Carlos Barros, in revista criatura nº 1, p. 67, Núcleo Autónomo Calíope da F.D.L, Lisboa, 2008
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