Novos Poetas (VI) José Carlos Barros

by manuel margarido

Mais matéria peneirada da Revista criatura (ainda me processam ao abrigo do Código do Direito de Autor e Direitos Conexos, haverá alguns dos 500 exemplares do número um a ser vendidos. O número dois já está à venda desde o dia 22. São 350 exemplares, correi!). Aqui deixo este poema de José Carlos Barros.

AS FRASES

Vem de muito longe o pó

na tijoleira das entradas das casas. Os mortos

saem dos retratos a sépia

pendurados nas paredes

e parecem tocar-nos

no ombro.


Uma frase desmoronava as barragens

dos desastres. Não era ainda

a noite. Ele deixava as mãos muito levemente

sobre a água

do tanque a experimentar

a imponderável ondulação dos significados.

José Carlos Barros, in revista criatura nº 1, p. 67, Núcleo Autónomo Calíope da F.D.L, Lisboa, 2008

moulin Wolfsmunster © erick boileau, Olhares, Fotografia online

moulin Wolfsmunster © erick boileau, Olhares, Fotografia online

Anúncios