Yes, they can’t…

by manuel margarido

A falência do banco norte-americano Lehman Brothers, e o iminente colapso – muitíssimo mais preocupante – da AIG, a maior seguradora dos EUA (que necessita de reunir 80 mil milhões de dólares ainda hoje para evitar que lhe suceda o mesmo) vem clarificar muito as eleições americanas. Questões como a experiência, a capacidade de liderança (sobretudo no âmbito militar), a credibilidade, são de repente secundarizadas pela economia. Os candidatos têm cerca de 50 dias para centrarem todas as suas baterias naquilo que agora realmente importa. Já ouvimos isto: It’s the economy, stupid!. Nunca a frase fez tanto sentido, para as gerações do após-guerra. E nenhum dos runners é estúpido. Ambos se apressaram a apresentar um conjunto de medidas que prefiguram um programa. Bastante contrastantes, por sinal. Obama intervencionista, vai meter o bedelho em tudo o que o Estado puder regular (pelos padrões americanos, é certo). McCain preconiza uma linha oposta, acentuando ainda mais a liberalização da economia, reduzindo os impostos sobre o lucro das empresas, das grandes fortunas (vai ao detalhe dos impostos sucessórios). A enunciação do que cada um preconiza pode ler-se neste artigo, cuja fonte é a France Presse.

Não haverá gente mais avessa aos impostos que os americanos. Porém, possivelmente Obama vai sair a ganhar com uma situação que já ultrapassa a definição de instabilidade. Porque McCain pretende aplicar, na essência, o programa de Bush W, aggiornato e com carácter de urgência. Ora, quem mudou para o Oeste quando a vida ficou dura, atravessando um continente à procura de terras (e de ouro), pode não gostar de impostos. Mas sabe quando é preciso mudar. Nos E.U.A. o povo pode ser ‘estúpido’ (os europeus, pelo menos, têm a certeza disso). Mas tem memória, uma memória bem fresca e vincada por ideais. Ainda é poderoso o mito da América como a Terra Prometida. É muito provável que seja Barack Obama, o idealista racional, aquele que os americanos acabarão por ver como o portador de uma bandeira de esperança. Subsiste apenas um pequeno senão. A realidade já não comporta personagens salvíficas.

Eu não sei que tu não sabes que eu não sei que tu não podes...

(¨Eu não sei se tu não sabes se eu não sei se tu não podes...¨)

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