A Braguilha de Brando

by manuel margarido

Peguei ontem (e pegar é, neste caso, um acto de força) na badalada biografia de Marlon Brando (Brando Unzipped, criativamente traduzido para a edição portuguesa como Brando mas Pouco), de Darwin Porter. As setecentas e tal páginas que constituem o calhamaço – palavra com imensas conotações metafóricas no que ao conteúdo do livro diz respeito – são de um tédio mortal. Onde se poderia esperar uma biografia centrada na obra, na genialidade do actor, Porter brinda-nos com uma sucessão imparável de todas as aventuras homo, bi, heterossexuais do senhor que transformou muitos filmes em masterpieces exclusivamente em virtude da sua presença. Excuso de dizer que não passei do terceiro capítulo. Imaginem uma crónica escrita por Carlos Castro (com o repeito devido ao plumitivo português), em registo cru e explícito, multiplicada ad nauseam et infinitum. Eu tenho consideração por Eduardo Pitta, mas o modo como nos apresenta o livro no seu excelente blogue (Da Literatura), no post Brando de Braguilha Aberta é, no mínimo, benevolente. Porque nem como retrato de época o livro se safa (Eduardo Pitta também não o sugere, de facto). Compreendo o picante da coisa. Mas não serve sequer para entender minimamente Marlon Brando enquanto artista, enquanto persona, enquanto lenda bigger then life. Como acrobata sexual, gigolo, príapo, devorador de tudo o que mexesse em seu redor, não me interessa. Muito menos saber o que fazia à roupa interior.

PS – É ridícula a bolinha vermelha, na capa do livro. E não deixa de ser irónico que o livro se tenha vendido com o Público, por cerca de 20€. O mesmo jornal que nos oferece a excelente Colecção Cahiers du Cinema – Grandes Realizadores“, com uma criteriosa selecção de filmes em DVD acompanhados por um livro, pelo preço de 9,95€. Nestas coisas há sempre que dar uma no cravo (ah, as conotações), outra na ferradura.

Vou fazer-te uma proposta que não podes recusar.

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