O primado da imagem

by manuel margarido

As múltiplas reacções de desaprovação chovem nos media globais, portugueses inclusos. Então não é que os organizadores dos Jogos Olímpicos de 2008 (chineses, logo duvidosos) trocaram a menina que cantou na cerimónia de abertura – com voz maravilhosa, diga-se – por outra criança que, essa sim, por ser linda, interpretou em play-back o tema! Repete-se: apenas por ser mais bonita. E daí? Num mundo ocidental onde a imagem é o primado matricial da comunicação, quando se discute, por exemplo, e amenamente o ‘branqueamento’ da cor da pele da cantora Beyoncé para uma campanha da L’Oreal, onde é que está o escândalo? Muitos motivos de crítica existem perante questões tão pertinentes como os direitos humanos e a despolitização dos Jogos Olímpicos. Mas ver na troca das meninas um gesto de má-fé e de logro parece-me, nos dias que correm, uma hipocrisia. Não concordo (coisa rara) com Rui Bebiano – entre muitos outros- e com o que escreve sobre o assunto. Às vezes o politicamente correcto não nos permite colocar as questões em perspectiva. E esse é o lugar de onde elas devem ser observadas.

O patinho feio canta, o bonito é para o mundo ver

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