Aniversário (com Sophia em fundo)

18 06 2009

(À Ana Clara, minha filha. 16 anos. Os dias… tão poucos tantos)

Que nenhuma estrela queime o teu perfil

Que nenhum deus se lembre do teu nome

Que nem o vento passe onde tu passas.


Para ti criarei um dia puro

Livre como o vento e repetido

Como o florir das ondas ordenadas.


Sophia de Mello Breyner Andresen

Clara3





O Estado da Nação

2 03 2009

Respondendo a várias/os leitores que por aqui passeiam e perguntam por que não comento com mais atenção os acontecimentos políticos que vão ocorrendo no “torrão”:

Neste blogue não se discute o estado da nação. O estado da nação é, por definição, indiscutível.

Ou seja, é impossível discuti-lo.

Don Quijote, Pablo Picasso

Don Quijote, Pablo Picasso





krímsjúka

15 01 2009

Africans – Griep; Albanês – influencë; Búlgaro – грип; Checo – chřipka ; Dinamarquês – influenza; Esperanto – gripo ; Ilhas Faroé – krímsjúka; Galês – anwydwst; Zulu – imfluwenza. Sim, fui ao Webster’s num momento de desesperado masoquismo, comprazer-me com a universalidade e diversidade de nomes para a maleita que me atirou desde há uma semana ao tapete – leia-se, cama – com todas as misérias inerentes (fossem inerentes e não misérias e aposto que jamais me lembraria de encontrar os nomes das coisas): febrões de mudar a roupa a meio da noite, dores em ossos de que desconhecia e existência – e que provavelmente me desconheciam a mim – excreções, e outras condições que não deve o pudor para aqui chamar. Uma coisa é certa: sendo eu um daqueles tipos que não ganharam barriga quando fizeram 35 anos, tendo níveis de colesterol abaixo da média, suportando cargas de esforço continuado sem que o meu coraçãozinho desate a palpitar, todos os anos é isto: apanho uma gripe (pode ser reles) e tenho para dez dias. Fico aviado, inutilizado,  a quarenta graus, palavra de honra. Este ano, acrescidamente, enraivecido: pela primeira vez tomei voluntariamente a vacina. Foi o mesmo que nada “a vacina não apanha todas as estirpes e mutações virais”, avisara-me a farmacêutica, enquanto eu saía, impante do seu amável comércio. Pois. “Mesmo fumador (e se deixar de fumar), você tem tudo para chegar aos noventa e tal anos”, disse-me, o ano passado, o meu médico. Esqueceu-se do meu sistema imunitário. Não vivi , no início da década de oitenta, na cidade de São Francisco (apenas por acaso, diga-se); não sou gay (apenas por acaso, diga-se também). Mas lá que agora eu era um tipo célebre como tendo sido o primeiro seropositivo, disso não me restam dúvidas. Sou tipo mata-moscas. Apanho todas!

O título quer dizer ‘gripe’ na lindíssima língua que se fala nas Ilhas Faroé, a qual, por inépcia e desleixo, não domino. Dar um nome de bolo (ou de guloseima) a esta infernalidade invernil só mesmo para poetas. Ou tipos habituados ao frio.

'bora lá que o tipo é fraquinho'

'bora lá que o tipo é fraquinho'





Pietá – a minha

1 01 2009

Não introduzo elementos de carácter pessoal no blogue. Este é, porém, o primeiro dia de um ano que convoca exigências (raras) no limite da esticada corda das emoções. Por isso não tenho uma fotografia de família. Tenho uma Pietá pessoal (e de Pietá falo, com dolorosa exactidão), de que apenas eu conheço a possibilidade de luz e as linhas de escuridão. Este é, possivelmente, o único post privado que aqui colocarei. Mas tinha de ser e é agora. Sara, minha filha mais nova.

Sara

Sara. Mãe.






Rectificação

16 10 2008

Entendo os blogues como um meio de expressão (singular, colectiva) com características únicas, onde múltiplas vozes, a transversalidade social em todos os azimutes, encontra um espaço e um tempo de manifestação próprios, marcados em norma por factores identitários e por uma grande amplitude na liberdade de ‘dizer’.

Liberdade essa que conduz, a alguma responsabilidade, a uma ética que confira credibilidade à voz que se exprime. As palavras pesam. Mesmo na blogosfera. Sobretudo na blogosfera (mais que no “24 Horas“, garanto).

Por isso, desde que iniciei este blogue, tenho procurado, o melhor que sei, encontrar a linha do rigor. Eis senão quando sou confrontado com o facto de ter escrito informação grosseiramente errada no post onde invocava Nuno Moura. Reponham-se já os factos.

A editora Mariposa Azual é propriedade de Helena Vieira, que é fundadora da casa. E não de Paulo Condessa, como referi. De igual forma, foram Helena Vieira e Nuno Moura (fundador da ‘Mariposa’ e, na altura, ainda ligado a ela) os responsáveis pela proeza – o adjectivo ajusta-se a um projecto que afirma “a literatura é uma potência muito pequenina” – de ter publicado a “Obra” de Adília Lopes, com ilustrações de Paula Rego. E é a Mariposa Azual (e, portanto, Helena Vieira, em conjunto com um grupo de ‘cúmplices’) que está na origem da Revista Índice.

Vale a pena visitar o site da Mariposa. E da Índice, cujo número Zero já foi editado e com número Um marcado para Dezembro. Darei também notícias aqui, à medida que as for tendo. É que a infelicidade do erro trouxe a felicidade de um reencontro. Há males que vêm por bem.

Agora o blogue pode continuar.





De luto…

15 10 2008

Hoje este blogue está de luto, por falecimento da sensatez do seu autor. Amanhã é outro dia.                      E compreender-se-á a razão.

errare humanum est

errare humanum est