Gonçalo M. Tavares — A Água
por manuel margarido
No café trazem-me um copo com água
como se ele resolvesse todos os meus problemas.
É ridículo – penso – não há saída.
No entanto, depois de beber a água
fico sem sede.
E a sensação exclusiva do organismo
acalma-me por momentos.
Como eles sabem de filosofia – penso –
e regresso, logo a seguir, à angústia.
Tavares, Gonçalo M., 1, Lisboa: Relógio d’Água Editores, Lisboa, 2004.
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