Alberto de Lacerda — Maio
por manuel margarido
Maio
Quer dizer sem faixa
Nu
Maio
Quer dizer formoso
Do princípio ao nu
Maio
Quer dizer a gaia
Sensação espraiada
Da flor em cometa
Sem fim
Maio
Quer dizer o lume
Do perfume lúbrico
Upando-se
Insensato
Maio
Quer dizer o monte
E quer dizer o tronco
Maio
É um ai enorme
Em que o a se exalta
Em que o i não chora
Ai
Maio
Ai
Ditongo muito aberto
No campo possuído lenta-
Mente por um M fecundo
Rindo enquanto tudo
Dilata e esplende
Londres, 1971.
Lacerda, Alberto de, Colóquio/Letras n.º 11, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, Janeiro de 1973

Breakable, Martin Stranka © Martin Stranka, via Deviantart (D.R.)
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