David Ignatow — Para a minha filha em resposta a uma pergunta
por manuel margarido
No dia do Pai. Sara. Clara, João.
Para a minha filha em resposta a uma pergunta
Não vamos morrer,
havemos de encontrar uma solução.
Respiraremos fundo
e teremos cuidado com a comida.
A nossa mente estará concentrada em vivermos.
Nenhum dos dois desaparecerá.
Seremos os primeiros,
nunca nos riremos de nós mesmos
e os teu filhos serão os meus netos.
Nunca nada mudará
a não ser por adição.
Não haverá nunca ninguém como tu
e ninguém nunca como eu.
Nunca ninguém te confundirá
ou me confundirá com outro.
Não seremos nunca esquecidos e ultrapassados
e enterrados sob os nascimentos e as mortes por vir.
(Versão de L.P. publicada no blogue Do Trapézio sem Rede. Agradeço ao autor deste muito valioso blogue, também ele notável presença na poesia portuguesa actual, a transposição do poema, sabendo de antemão que a sua elegância me autoriza a fazê-lo.)
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