José Saramago (1922 – 2010) – Espaço curvo e finito
por manuel margarido
Morreu José Saramago.
Que deus o receba na sua paz.

José Saramago na praia Quemada, entre Yaiza e Tías, Lanzarote (Canárias) - Pedro Walter © Pedro Walter, El País (d.r.)
Espaço curvo e finito
Oculta consciência de não ser,
Ou de ser num estar que me transcende,
Numa rede de presenças e ausências,
Numa fuga para o ponto de partida:
Um perto que é tão longe, um longe aqui.
Uma ânsia de estar e de temer
A semente que de ser se surpreende,
As pedras que repetem as cadências
Da onda sempre nova e repetida
Que neste espaço curvo vem de ti.
Saramago, José, Os Poemas Possíveis, Lisboa: Editorial Caminho, 1981.