Miguel Cardoso – Que se diga que vi como corta a faca
por manuel margarido

Que se diga que vi como a faca corta
Primeira livro de poemas de Miguel Cardoso, Que se diga que vi como corta a faca, com a chancela da Mariposa Azual, lançamento já amanhã, na Fábrica do Braço de Prata, conforme programa que consta na imagem. Um poema que o apresenta.
Foi esta portanto a furtiva impureza que herdámos
sem saber como, este espaço, este canto assim vago,
estes espasmos desmaiados, este tempo, este mundo,
estas arestas, estes pedaços de terra, estes dramas
de inércia e dentes pouco aguçados, os mesmos
rostos rasos ao chão, estes remorsos, estes cafés
onde nos recompomos das derrotas, este modo
de despejar os cinzeiros, estas tardes, este aclarar
da garganta para nada e os rebuçados amarelos
e doces para a tosse, a lucidez, os oscilantes sons
das campainhas, a satisfação ardente dos líquidos
raros, a gradação de intensidade das lâmpadas,
e os dias sempre os dias outra vez os dias.
Cardoso, Miguel. Que se diga que vi como corta a faca. Lisboa: Mariposa Azual. 2010.

«Candies xD, jessica plankarte salas, via Deviantart