Novos Poetas (52) – Vasco Gato
por manuel margarido
No peito, a manivela ferrugenta
que faz abrir a respiração
começou a emperrar
e o corpo aprendeu rapidamente:
o suor como se a roupa
fosse um antídoto.
O belo cavalo branco de cascos
impretéritos avançou
então
pelas vértebras
mas não impediu que a imagem
fosse real.
Cordas de piano
por onde trepam os assassinos
e onde por vezes
se enforcam
antes de alcançarem a janela,
o repto impune dos que dormem:
vela-me.
GATO, Vasco, “Omertà”, Famalicão: Edições Quasi, 2007

© Paulo Madeira, Olhares Fotografia Online (d.r.)