Ângelo de Lima – Pára-me de repente o pensamento
por manuel margarido
Pára-me de repente o pensamento
Pára-me de repente o pensamento
Como que de repente refreado
Na doida correria em que levado
Ia em busca da paz, do esquecimento…
Pára surpreso, escrutador, atento,
Como pára um cavalo alucinado
Ante um abismo súbito rasgado…
Pára e fica e demora-se um momento.
Pára e fica na doida correria…
Pára à beira do abismo e se demora
E mergulha na noite escura e fria
Um olhar de aço que essa noite explora…
Mas a espora da dor seu flanco estria
E ele galga e prossegue sob a espora.
LIMA, Ângelo de, “Líricas Portuguesas”, seleção, prefácio e notas de Cabral do Nascimento: Lisboa, Portugália Editora, 1945
O pescoço de Dante, um cavalo Lusitano, trabalho que integra o álbum “Equus” do fotógrafo britânico Tim Flach.
[Clique para ampliar]
