Novos Poetas (48) – Nuno Brito
por manuel margarido
Ainda na Cràse, número zero, após a surpresa da descoberta de Luís Felício, podem encontrar-se alguns outros autores que sobressaem. Nuno Brito (Porto, 1981) publica três poemas, formal e tematicamente distintos entre si, mas tendo em comum uma grande capacidade de criar imagens inesperadas. Na riqueza imagética, mas também nos bruscos saltos do enunciado, estará a singularidade do autor. A aparente “desigualdade” entre poemas derivará da mesmíssima razão que origina a “desigualdade” dentro de cada poema: o salto, a guinada, a deslocação e o estranhamento do sentido, manipulados laboriosamente para criar trabalhos que prenunciam uma voz poética não confundível. [Nuno Brito tem, publicado em 2009, o livro Delírio Húngaro, com a chancela da Edita-me]
Panteão Nacional
Fui ao Panteão Nacional adorar um ou dois mortos que se riram
o suficiente
e isso chega
A Puma que protege a sua entrada, dita com os olhos verdes quem
é imortal e quem é mais do que isso. Vigia os dez milhões
de habitantes.
Todos eles com as suas bússolas apontadas para sul foram
antigos Reis de Alexandria.

© Carla Salgueiro, Olhares, Fotografia online (d.r.)