Poesia Portuguesa (27) – Pedro Tamen
por manuel margarido
Pedro Tamen (1934), poeta, eminente tradutor, professor, administrador de múltiplas entidades públicas e privadas ligadas à cultura, é um daqueles homens incontornáveis na segunda metade do século XX, a figura do ‘intelectual’ que surge no frutífero cadinho dos então designados ‘católicos progressistas’ (e da Moraes). A sua biografia/bibliografia – de excelente qualidade – pode encontrar-se aqui → (Pedro Tamen). Na revista Colóquio/Letras, 127/128, de Janeiro/Junho 1993, dedicada a António Nobre, Tamen, que era à época administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, editora da revista, publica este poema com António Nobre como tema. De assinalar que o excepcional número duplo da Colóquio Letras, de grande apuro estético e abundantes hors-texte (o meu exemplar apanhou água num dos cantos e está apropriadamente atacado de tísica desde então) tem sobrecapa e, ilustrações de Miguel Branco (1963), um pintor e escultor com uma linguagem única e inclassificável nas correntes de expressão plástica contemporâneas, que pode ser apreciada na imagem que ilustra este post (a referida sobrecapa, o tamanho engana, a pintura tem 19 x 24 cm, uma ‘miniatura, portanto) e contextualizada no comentário à sua obra → (da autoria de Nuno Faria).
NOBRE REVISITED
por
Pedro Tamen
Tão dlim, tão dlão,
tão coração,
tão rim.
(Ó meu poeta prejudicado
pela suavidade do portuguesismo,
pela saudade antes do saudosismo,
pelo sexo de só crucificado,
meu cor-de-terra quando foge
onde não há verdades verdes que despontem,
ó meu poeta que ainda tosses hoje
tendo nos olhos as olheiras de ontem!)
Março 93
Pedro Tamen, in Revista Colóquio/Letras, número 127/128, p. 15, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Janeiro/Junho 1993
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